domingo, 4 de novembro de 2007

Será?

Por gentileza, o senhor pode me dar uma informação?
O que é viver? Por que vivemos?

Em setembro de 2007, fui ao sepultamento do pai de uma amiga, na cidade de São Paulo. Por diversas vezes, ouvi dos presentes a seguinte frase:“a única certeza que temos em nossa vida, é a morte”.

Ops! Que interessante! Questiono-me por diversas vezes quão tolos somos, ou não. Vivemos para deixar legados? Vivemos por viver? Vivemos à espera do tribunal – vais para o céu ou inferno?

Temos direitos, deveres e obrigações, mesmo que, em grande parte, não saibamos os motivos pelo qual seguimos, muito menos quem os inventou. Deparamos-nos com palavras como ética, protocolo, etiqueta, exigidas cegamente pela sociedade, induzindo-nos à espiral do silêncio, não poucas vezes quebradas, até mesmo, pelos representantes do executivo nacional. Realmente, as palavras tornam-se meramente palavras.
Será que está certo? Ou melhor, o que é errado?

Analogamente ao dia, a vida parece durar 24 horas. Nasce o Sol, dando a luz a um novo dia, que percorre uma trajetória, já com uma certeza, fenecerá e encontrar-se-á com a escuridão... dorme em silêncio. Um sono inconsciente, sem prática nem ação. Muitas vezes, acordamos e temos a leve impressão de termos conhecido uma outra realidade. Reconhecemos e conhecemos lugares e pessoas, mas, ao acordarmos, de forma similar ao nosso Pai, ressuscitamos.

Será que será sempre assim? Será que em uma dessas mortes viveremos nesses outros mundos? Será?

(Felipe Carvalho)
setembro de 2007

Um comentário:

Mari disse...

Esse seu texto lembra aqueles do livro do Baudelaire... dos pequenos poemas em prosa. Bem existencialista. Sabe que todos os dias me faço estas mesmas perguntas? Acho que isso é inerente ao ser humano. O que estamos fazendo aqui? Para onde vamos? Será que o tempo presente é apenas um único momento de lucidez e consciência em uma eternidade adormecidos? Será que um dia fecharemos nossos olhos e não acordaremos? Ou acordaremos? E de onde viemos? Por que acordamos aqui, neste agora, nesta época? Por que nos encontramos? Por que reencontramos? Por que as coisas acontecem assim? O que está ao nosso alcance? Até onde temos o poder? (Se eu tivesse o poder.... rs) Que mão é essa que tece nossos destinos? Ou somos nós que pilotamos o futuro? Tento fazer o possível com o que me é dado a cada dia, quero viver o melhor do hoje, fazer o máximo da melhor forma possível. É só isso que eu sei... Será?